Tomada de posição pública sobre a agressão e detenção dos manifestantes do dia 3 de Setembro de 2011
Pelas organizações subscritoras Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD): António Ventura Associação OMUNGA: José Patrocinio Associação Construindo Comunidades (ACC): Domingos Francisco Fingo Associação AJUDECA: Manuel Pembele Mfulutoma Associação VAPA: Jeremias Pambassangue Associação CMDI: Simão Yakitengue Associação SOS Habitat: Rafael Morais Plataforma de Mulher em Acção: Verónica Sapalo Conselho de Coordenação dos Direitos Francisco Tunga Alberto Humanos: Associação SCARJOV: Simão Cacumba Associação Mãos Livres; Salvador Freire dos Santos Fundação Open Society - Angola (FOS-A): Elias Mateus Isaac Centro Nacional de Aconselhamento (NCC): Reis Luís Sindicato Nacional de Professores (SINPROF): Manuel Victória
Luanda 06 de Setembro de 2011
As organizações Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD), Associação OMUNGA, Associação Construindo Comunidades (ACC), Associação AJUDECA, Associação VAPA, CMDI, SOS Habitat, Plataforma de Mulher em Acção, Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos (CCDH), Associação SCARJOV, Associação Mãos Livres, Centro Nacional de Aconselhamento (NCC), Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) e Fundação Open Society - Angola (FOS-A), tomaram conhecimento das agressões e detenções arbitrárias atingindo jovens protagonistas da manifestação de 03 de Setembro de 2011 e jornalistas que cobriam o evento na praça da independência.
De acordo com o artigo 47º da Constituição da Republica de Angola "é garantida a todos os cidadãos a liberdade de reunião e manifestação pacífica e sem armas, sem necessidade de qualquer autorização nos termos da lei". É obrigação dos órgãos de segurança garantir a protecção dos manifestantes, bem como dos jornalistas que se encontrem a cobrir o evento.
Lamentamos que as agressões contra os estudantes e jornalistas tenham partido dos órgãos de segurança devidamente identificados e à paisana. Instamos ainda que seja tornada pública a lista com os nomes de todos os detidos da manifestação de 03 de Setembro e locais de detenção.
Nos termos do disposto no artigo 63º da Constituição da República de Angola, "Toda pessoa privada de liberdade deve ser informada, no momento da sua prisão ou detenção, das respectivas razões e dos seus direitos nomeadamente: ser informada sobre o local para onde será conduzida; informar a família e ao advogado sobre a sua prisão ou detenção e sobre o local para onde será conduzida; consultar o advogado antes de prestar declarações; ser conduzida perante o magistrado competente para confirmação ou não da prisão e de ser julgado nos prazos legais ou libertada."
Constatamos que foi negado aos manifestantes o direito de serem contactados pelos seus advogados bem como foi negada aos seus familiares informação sobre a situação e paradeiro dos mesmos.
Condenamos os actos de agressão, tortura, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes a que foram submetidos os detidos.
Apelamos a que o direito a defesa e ao contacto com os familiares dos manifestantes não seja coarctado e exigimos a garantia da integridade física de todos os detidos e a sua libertação incondicional e imediata.



















O que Esperar de Nós CNSC
O que é eticamente admissivel responder em termos de expectativa da sociedade em relação a nós actores da CNSC, visa vi , a Violência a que os manifestantes de 3 de setembro foram Alvo?
1) Uma actitude de omissão?; ou
2) Uma atitude de repúdio contra o uso desporporcional da força pela policia Angolana?
Pretendermos ser actores do processo das Conferências Nacionais da Sociedade Civil encerra em meu entender esses desafios ... Pois temos de ser fiés a possibilidade de fazermos avançar o diálogo entre governados e governantes nos marcos do contracto social que temos , a constituição. Mas também temos de usar a jurisprudência , aqui entendido, como um juizo prudente , não mecanico ... daí que convoco a quem se interessar nesse espaço a debitar os seus argumentos de razão em relação a qual deve ser o nosso posicionamento? A ética é aqui convocada ...
A V CONFERÊNCIA DA SOCIEDADE CIVIL SAIU À RUA
Meu mano
Agradeço desde já este teu desafio que atiras para aqui para este espaço da conferência da sociedade civil.
Acredito, que muitos vão aderir a esta discussão. Ou estarei enganado? Não acredito! Apenas posso imaginar que todos, mas absolutamente todos, não estão a conseguir, a poder, ficar de fora, deste grande debate que aqueles, se calhar não cabendo dentro das nossas grandes definições e conceitos de sociedade civil, vão marcando espaço, passos e força num processo irreversível de mudança. É como queríamos? É o desejado? É o calculadamete calculado? Não sei! Apenas sei que é!
Estarão eles, estes jovens (desorganizados) a realizar a V conferência nacional da sociedade civil? Terão eles legitimidade? Terão eles representatividade? Seremos nós a representá-los e a dar-çjes legitimidade? Afinal em época estamos nós?
Fiquei sem saber se conseguiu-se chegar a consenso se a conferência de imprensa seria em Malange ou em Luanda. Fiquei sem saber se o projecto concluiu (aquele bonito)
Para mim, a conferência já começou, e há muito, só precisamos de a sentir, a tocar, a perceber!
Viva a V conferência nacional da sociedade civil que tem coragem de ir para a rua. Viva essa... e também as outras...........
Poucos Hão de Participar!
Grande José Patrocinio,
Poucos hão de participar desse tipo de debate. Porque em meu entender:
1)Curruculuns , metodologias escolares e impreensa ajudam a reproduzir uma mentalidade social de luta por acesso e gestão de previlégios;
2) A mentalidade de luta por direitos é uma acção levada a cabo, de forma inequivoca ainda por poucos actores entre ele: David Mendes, Makuta Nconda, José Patrocinio, Fernando Macedo , Marcolino Moco, Willian Tonet , António Ventura, Rafael Marques, entre outros poucos
Nelson
VAMOS VENCER
Meu mano Nelson, como insistes, insisto em voltar.
Desabafava eu há tempos, nestes diálogos que aqui nos propomos, com a Aléxia, que nos cristalizamos, que nos emoldoramos, que nos esquecemos de sonhar e de viver! E a vida espirra vida dentro e fora de nós!
Dois grandes instrumentos, formatizam, moldam, reproduzem (como tu dizes) mentalidades: A comunicação social e a escola! Mas toda essa formatação, moldagem e reprodução é cinicamente aparente (como a família!). Estranho???!! Os mesmos que nas grandes multidões apoiam, os mesmos que condenam quando as coisas mudam. Porque eles assim são formatados, moldados e reproduzidos. São PERIGOSOS! Apoiavam Salazar e apoiaram os capitães de Abril. Apoiavam a UNITA, são militantes do MPLA. Gostavam de azul, são benfiquistas ferrenhos!! Não são estes que nos preocupam. Apoiavam Kadafi, gritam de alegria pela ocupação de Tripoli! Não são estes que nos interessam. Interessa-nos aqueles que as escolas, a comunicação social não os reproduz, não os molda, não os formata. Estes sim, importam, interessam.
Não foi David Mendes, Makuta Nconda, José Patrocínio, Fernando Macedo, Marcolino Moco, William Tonet, António Ventura, Rafael Marques que fizeram história, construiram história, a 3 de Setembro. Foram incógnitos. Foram simplesmentes sonhos em sonhos de jovens que nos dão a rua libertada para a podermos gerir. Usar. Estar. Recuperar! A intelectualidade daqueles não produziu a mudança que a inocência do descontentamento e rebeldia do sonho, gerou no atrevimento dos incógnitos, Para eles o meu respeito e admiração. O agradecimento pelo aprendizado e pela flor que me colocam no sonho do vale a pena!
Estas centenas de miúdos, fazem aquilo que milhões não fazem. Obrigam a falar-se de agendas teimosamente escondidas e negadas de discutir-se. Obrigam a falar-se na substituição do presidente. Mas vão obrigar a mais. Por isso estou nesta. Vão obrigar a rever-se a constituição para que falemos de eleições. Esse tão minúsculo punhado de miúdos. Tão fortes! Tão tanto!
Para eles, eu me curvo, e o mínimo que posso fazer é estar com eles hoje, quinta-feira, na sessão de julgamento. É o tão pouco que posso fazer, afirmar-me e sentir-me EU!
Estou com eles, porque estou com a V conferência nacional da sociedade civil de todos, Estou com eles porque eles estão-me a dar o espaço que tantos espaços não me dão. Reconquisto em mim esperanças, sonhos, vontades, tesões no aprendizado de me conhecer.
Vamos vencer!
A Justiça Triunfará
Amigo Patrocinio e Florindo,
Insistir nesse diálogo para mim vale a pena. Daí que vou fazer duas curtas notas :
1) Eu acredito na necessidade de nós Angolanos influenciarmos a nossa organização social , a nossa escola , a nossa impreensa a nossa CNSC . Pós para mim não somos por natureza, PERIGOSOS, IMORAIS, mas mais ou menos sujeitos e sujeitados pelas nossas extruturas socias.
2) As manifestações mostraram os bravorosos jovens que a organizaram e a ela acorreram ser um instrumento poderosissímo , para a nossa missão de influência da nossa organização social. Daí que precisamos seguir emocional e racionalmente caminhando para fortalecer a nossa capacidade de nos manifestarmos , o combate é não violento , contra uma extrutura que está a jogar baixo moralmente. E isso em meu entender exige que caminhemos repito emocional mas tb racionalmente, por amor de Deus , não interpretemos desistência...
vamos dialogando e agindo, a emoção é humana a razão tb o é ...
Meu abraço ,
Nelson Paulo