REFLITO NESTE ESPAÇO "Conferência Nacional da Sociedade Civil"

A ideia do Figas para virmos para este espaço mais amplo, onde certamente o espaço “conferência nacional da sociedade civil” é espaço, acho enquadrar-se perfeitamente no espaço que deve ser este espaço.

O diálogo que começámos entre email, trouxe-me (refrescou-me!) a ideia de que ainda necessitamos reflectir sobre aquele (este) espaço.

É o único ou “um dos”? Legítimo para falar do todo e pelo todo? Pretende-se mesmo (da maioria) que o espaço seja um espaço de posicionamentos, pressão, divulgação, próprio do espaço? É o legítimo? É aberto ou limitado? É vertical? De cima para baixo? É democrático?

Peço imensa desculpa ao Nuno mas infelizmente não pude mesmo participar na Conferência sobre Desenvolvimento e Erradicação da Pobreza em Angola e na África Austral: eficiência e eficácia da participação das organizações cívicas. Já nessa altura sentia vontade de dialogar sobre isto. Estamos com capacidade (um “um”, o “grupo”, o “todo”) de acompanhar o rápido alterar do contexto? Continuamos a argumentar os mesmos conceitos? Absorvemos os ventos que correm pelo mundo (em que temos a partícula Angola)? Sentimo-nos partes desses ventos? Soam-nos aos ouvidos e aos “sentidos”?

Podíamos divagar sobre tudo e por aí ficávamos! “Divagar”? Eu me fico a divagar!

Começo, por hoje e agora, divagar/debater/construir sobre a COERÊNCIA.

A coerência só se assume se se a sente. Se nos sentimos em processos de continuidade sustentável. Esta continuidade reflecte princípios e não exclusivamente programas. A estrutura, a agenda, o enfoque, etc, dependerão sempre dos contextos locais. Do momento. Mas os princípios devem ser o alicerce. E sinto que aí seria interessante enfocar isto nesta nossa conferência.

Para mim, acredito que se deve basear esta conferência num espaço de reflexão sobre si mesmo (COMEÇANDO AQUI).

A conferência (o espaço) já é espaço e precisamos aprender com a reflexão sobre ele. Este espaço já é projecto. Esse projecto deve estar bem visível no projecto simplesmente escrito e muito propositado para procurar financiamentos. Penso que não devemos fazer um projecto para buscar financiamentos, mas buscar financiamentos porque se fez um projecto. Aqui financiamentos, considero todo o tipo de relação que pode servir de indicador do grau de confiança, ou interesse comum (vantagens mútuas?).

Se este último projecto não transpirar o espírito do projecto, escorregamos para a hipocrisia. Discurso versus prática.

Quero apenas dialogar/divagar/construir.

Obrigada Alexia pelo empurrão que dás a tentar ter este espaço dinâmico, abrangente. Obrigada Alexia por dares o empurrão para irmos porque queremos ir, e estar! Dar ânimo e energia positiva ao processo. Fazer caravanas. Ter parque de campismo. Fazer campanhas pessoais. Eu pretendo ir de boleia até Malange e aproveitar fazer cobertura da viagem. Pretendo levar tenda. Pretendo levar sonhos. Inquietações. Acções. Gostaria muito de poder depois fazer a sua apresentação e discussão. Não é possível fazer-se isso a partir de outras províncias? Não poderia isto ser coerência? Figas, tu curtes bwé “bina”, não queres ir a Malange de “bina”? Alguém pode ir de asa delta a partir do Huambo? Alguém pode ….

Temos que trazer novas energias. Fazer um laboratório de criatividades. Embrutecemo-nos/cristalizamo-nos com o tempo. Repetimo-nos no discurso. Envelhecemos!

Eu quero criar sinergias com as pessoas que têm interesses comuns com os interesses que agora (repito, agora) tenho. Quero inter-agir. Quero tirar os pesos que vou transportando. Estabelecer pontes. HUMANAS!

Este lado positivo, como positivo tem sido o papel, no qual muitos de nós se revê, tem que estar reflectido na introdução do projecto. Por coerência!

Alexia, por isso não respondi ao teu questionário. Há as coisas, que por serem “apenas” coisas, não se engavetam. Não se encerram em prateleiras. Não se quantificam. Sentem-se! Tu sentes muito o teatro. Porque não explodir neste espaço tudo isso que tu sentes? Acho que cada vez mais estamo-nos a mecanizar demais na indústria que nós próprios alimentamos. Transformamos este espaço num espaço simplesmente de produzir e não no espaço de “estarmos”.

O que eu quero mesmo, agora, é falar, aproveitar, dialogar sobre coerência de posicionamentos!

Na conferência realizada em Benguela, discutiu-se, fez-se abaixo-assinado posicionando-nos sobre o sistema de eleições a ser aprovado (e actualmente em vigor). Lembro-me ainda que ficou claro que a sociedade civil representada nesse (naquele, neste) espaço, pretende eleições presidenciais separadas das eleições legislativas. Pretende menos poderes no presidente da República. Estamos “aonde” agora em vésperas de eleições?

Qual é a COERÊNCIA deste espaço se não debater os posicionamentos e seus resultados, em relação às eleições? Que penso eu, qual deve ser o meu posicionamento, em relação às próximas eleições? Qual a lógica desse posicionamento?

Em próximas edições atiro outras divagações!

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Comentarios

Caro Patruças

Gosto de te ver por aqui. Quanto a algumas das perguntas que levantas a minha opinião é que: 1) não devemos tentar ter espaços "únicos". Ter diversidade de espaços pode ser positivo. Mas ter um espaço de referência pode fortalecer-nos, 2) espaços para trocarmos ideias, nos conhecermos uns aos outros, tomar posição individualmente e, quando houver acordo e for dado mandato tomar posição colectiva (em nome de todos). Conseguirmos isto daria enorme força à sociedade civil, 3) será legítimo, representativo e democrático se investirmos em que funcione de acordo com esses valores, 4) deverá ser aberto, 5) deverá ser horizontal no funcionamento (todos iguais, sem estrelas nem elites) mas cultivar a liderança (reforçar as lideranças que forem surgindo, mas não esquecer que estas devem contas a quem lhes deu o mandato), 6) sim deve ser democrático mas para isso vamos todos ter de aprender e mudar a nossa cultura (a propósito disto gostaria de puxar a discussão sobre a situação que ouvi da IV Conferência onde a maioria votou num sentido mas as elites da SC foram noutra direcção, e todos se resignaram...)

Viva ZP;

Tem o mérito de ser o primeiro (?) a embarcar já neste espaço com reflexões concretas sobre a coonferência depois de muita "boca" nossa sobre onde e como fazé-lo, por isso será tido em conta na história (se ouver) do espaço.

Mas a minha preocupação, não como escriba na comunicação mas um humilde servidor do bem-comunicar, é o volume de questões que traz à mesa para debater, me parecem muitas demais (perdão pela cacofonia) num só espaço e num só tempo o que me parece poder dificultar a análise de quem queira fazer ilações e deixar sugestões. Bem podem não concordar comigo, mas essa é o meu ponto-de-vista, sobre a comunicação fácil e simples neste tipo de debates.

Mas isso quer dizer, que a SESSÃO DE DEBATE ESTÁ ABERTA.

Viva ZP;

Tem o mérito de ser o primeiro (?) a embarcar já neste espaço com reflexões concretas sobre a coonferência depois de muita "boca" nossa sobre onde e como fazé-lo, por isso será tido em conta na história (se ouver) do espaço.

Mas a minha preocupação, não como escriba na comunicação mas um humilde servidor do bem-comunicar, é o volume de questões que traz à mesa para debater, me parecem muitas demais (perdão pela cacofonia) num só espaço e num só tempo o que me parece poder dificultar a análise de quem queira fazer ilações e deixar sugestões. Bem podem não concordar comigo, mas essa é o meu ponto-de-vista, sobre a comunicação fácil e simples neste tipo de debates.

Mas isso quer dizer, que a SESSÃO DE DEBATE ESTÁ ABERTA.

Assino por baixo da tua Frase: "Penso que não devemos fazer um projecto para buscar financiamentos, mas buscar financiamentos porque se fez um projecto. Aqui financiamentos, considero todo o tipo de relação que pode servir de indicador do grau de confiança, ou interesse comum (vantagens mútuas?)". 

É isso aí. Gostei muito profundamente da tua reflexão.

Embrutecemos, mesmo. Estamos a perder o exencial da criatividade humana, a fé na mudança, a fé na nossa capacidade de inovar e criar , a fé de produzir novos pensamentos, de ter a coragem de ir contra corrente e ser fieis a nossa conaciencia. Egualmente como tu, sinto que nesta coneferncia falta o encontro de PESSOAS, que acima de todo se querem bem, que mesmo não concordando, simplesmente manisfestam o seu olhar para uma possibilidade "outra" vde ser. Ser diferente daquilo que sou, diferente daquilo que foui capaz de ser. SIM eu quero resgatar para mim o sonho de SER, de ser um "dom" para todos os outros seres. Eu quero poder partilhar os meus sonhos, porque sei que eles trazem em sí a exencia do poder ser. 

Acredito que a partilha de vidas, de limites, de incertezas, de certezas, nos vão ajudar a encontrar juntos o caminho. Mas todo este caminhar requer que eu tenha capacidade e paciencia com o meu proprio processo de crescimento e amadurecimento. Mas também paciencia com o crescimento e amadurecimento dos outros que partilham hoje da história de vida que vivo. Sim esta é uma experiencia de vida, VIVIDA. Onde procurar perder-me nos outros, para me encontar a mim. SIM, isso em sí já é conferencia, é dialogo, é comunicação, é a capacidade de dizer o que pensamos poder ser diferente.... Também capacidade de "ESCUTA", tão difícil entre nós.

para tudo isso o financiamento é o que menos importa. O que importamente é que os problemas que nos afligem, que nos sofocam sejam resolvidos. Há uma consquiesta que temos que fazer vital: a perservação da nossa CONSCIENCIA e liberdade de pensamento e expressão... Esta é uma luta por liberdade, por justiça, por PAZ. Porque não posso viver feliz e em paz se a minha volta existe miséria, se a minha volta familias perdem os seus lares, se a minha volta vejo crianças a perderem a sua infancia, se a minha volta vejo mulheres privadas dos sesu direitos elementares. Não não quero fechar os meus olhos, não quero vender a minha consciencia.

Quero respira fundo, e saíes pelo mundo a vender sonhos. Quero estar entre ricos e pobres para lhes contar histórias de outra humanidade, quero sentar ao lado do indigente e do milionário para construir soluções reais para construir outro paradima de economia, de justiça.... Quero entar entre governados e governantes para construir pontes. Este é o meu sonho. Identifico-me com o teu sonho, com o sonho do Figas, da Tina... de todos.

ACREDITO, numa angola que está a ser construída com o nosso trabalho, com as nossas angustias, com o nosso sofrimento. Este sofrimento, muitas vezes calado é o fermento para cosntrrirmos uma voz apartidária, forte capaz de se fazer ouvir. Uma voz que seja como que a consciencia social da nossa sociedade. Para isso tem que se abrir, tem que se deixar consumir por todos, tem que abrir portas a outras forças da sociedade civil. 

ESTE È UM PROJECTO FEITO POR FORMIGAS. São pequenas, pobres, mas são muitas.

Caros colegas,

Estou de acordo com as propostas feitas pelo Figas, principalmente em relação aos temas a debater e, a facilitação. Quanto ao tema sobre relacionamento com ao nível dos CACS, acho bom desenvolvermos um pouco mais este assunto se tivermos em conta o figurino que se desenha em relação as Autarquias Locais em Angola. Pois, numa altura em que elas ainda não estão calendarizadas, nem existe legislação específica, é um pouco confuso falar-se do "modelo autárquico do Kilamba"!

Quanto a utilidade do espaço, penso que devíamos continuar e à medida que outros forem entrando num ou noutro, o processo não ficasse dependente até que todas as "formigas" aparecessem. Afinal, quando elas constroem a suas habitações (morros e salalé) cada uma tem uma função a desempenhar. Uma outra reflexão que ser feita é relativamente aos famosos financiamentos principalmente da conferência nacional. Seria bom que desta vez, as nossas organizações valorizassem mais as próprias contribuições como parte do financiamento. Quem até poder ir por meios próprios mas dar a sua valiosa contribuição no debate, é uma parte do financiamento!!

Belisário

Caríssimo Patruças,

sentimos a tua falta na conferência sobre a erradicação da pobreza, mas também temos a certeza que tal se deveu a motivos de força maior porque raramente faltas, mesmo quando a tua presença implica esforços pessoais.

Dito isto, apenas um pequeno comentário à tua intervenção concordando com a necessidade de se fazer uma estreita conexão entre as ideias, problemas, discussões, sugestões e decisões de todas as conferências nacionais, desde a primeira até á última para se ter uma melhor noção de onde se parte e aonde se quer chegar. A tua referência à coerência é extremamente importante e parece-me que por vezes se perde um pouco a sequência do percurso que se fez, que se vai fazendo e que se quer fazer. A dinâmica é importantíssima, mas a dinâmica precisa de um rumo baseado na reflexão e produção das conferências. Discussões interessantíssimas e cruciais para a sociedade angolana têm sido levantadas nas conferências provinciais e nacionais, mas mais tarde voltamos a perceber que as discussões não tiveram sequência, os problemas levantados não foram suficientemente debatidos e entra-se num novo ciclo que faz tábua rasa dos debates anteriores.

Resumindo concordo com a necessidade de coerência no sentido de definição de posições, tentativa de definir objectivos e persegui-los de forma resoluta.

Abraços a todos.

Nuno 

 

 

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